• César Lanzoni

Você já usou alguma droga?





Você já usou alguma droga? Se sua resposta foi não, você provavelmente pensou em drogas ilícitas. Mas, segundo a Divisão Estadual de Narcóticos da Polícia Civil (DENARC) do Paraná, droga é o nome genérico dado a todos os tipos de substâncias, naturais ou não, capazes de causar alterações físicas e psíquicas. Já “droga ilícita” é o termo popular utilizado para substâncias psicoativas proibidas de serem produzidas, vendidas ou consumidas, como a cocaína e a maconha.


Outra dúvida comum é a diferença entre medicamento e remédio. A confusão é comum porque os medicamentos são uma pequena parte dos muitos remédios existentes. Quando nos referimos a substâncias controladas, elaboradas por farmácias ou indústrias, estamos falando de medicamentos. Já os remédios são todos e quaisquer cuidados utilizados para curar ou aliviar doenças, sintomas, desconfortos e mau-estar. Pode ser um chá quente, uma massagem ou um comprimido de antiinflamatório. Pode também ser um spray de THC e CBD, substâncias encontradas na cannabis, nome científico do gênero da maconha.


Mas não pense que toda droga ilícita é um medicamento. Para que qualquer droga se torne um novo medicamento no Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) exige relatórios e muitas pesquisas, com diversas etapas de testes, que vão garantir a sua segurança e eficácia, além de documentos que detalhem a forma de uso, as doses indicadas e muitos outros dados. Tudo isso tem o objetivo de assegurar que o medicamento não causará danos quando utilizado na dosagem correta.


Dessa forma, vemos que o uso da cannabis como medicamento só foi possível por conta de pesquisa sobre suas ações no corpo humano. O uso adequado e com acompanhamento médico tem sido documentado como eficiente no manejo de dores crônicas, redução de espasmos em pacientes com Esclerose Múltipla, manejo de ansiedade e outros.


O uso dessa droga ilícita como medicamento é muito polêmico pois muitos ainda acreditam na sua grande capacidade de viciar o consumidor. Mas vale lembrar que existem diversos medicamentos registrados que tem grande potencial aditivo. Aqui cabem duas observações: a cannabis possui um potencial muito baixo de adicção em usuários crônicos, abaixo de 10%; outros medicamentos, como os benzodiazepínicos ("Rivotril" e "Valium") também causam adicção e são responsáveis por 426 mil visitas aos departamentos de emergência americanos no ano de 2011.


Essa classe de remédio continua sendo usada pela sua importância no tratamento de ansiedade e problemas do sono, mesmo com seus comprovados efeitos adversos. Por isso a farmacologia é tão importante. A ciência que estuda o funcionamento e a ação de drogas em seres vivos procura encontrar soluções para problemas diversos da complexa saúde humana. Desapegada de estigmas sociais e baseada em evidências científicas, a transformação de drogas diversas em medicamentos pode continuar melhorando a qualidade de vida e expandindo a longevidade da população.


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Programa de Pós Graduação em Biociências

Responsável: Francisney Pinto do Nascimento, PhD

 

 

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