• César Lanzoni

Ritalina: Doping intelectual?

Atualizado: 19 de Dez de 2019



Conhecida como a “droga dos concurseiros”, a Ritalina tem sido utilizada cada vez mais dentro de escolas, universidades e cursos preparatórios com a promessa de melhorar o desempenho daqueles que tomarem os comprimidos, ajudando nos estudos e em provas. Mas como funciona este fármaco? Ele realmente te deixa “mais inteligente”?


A substância responsável pelo efeito da Ritalina é o cloridrato de metilfenidato, considerado um estimulante do sistema nervoso central. De forma mais simples, este medicamento melhora o funcionamento de partes do cérebro que não são tão ativas, melhorando a atenção, a concentração e reduzindo comportamentos impulsivos e o sono diurno excessivo.


Parece muito bom, não é? No entanto, assim como os outros medicamentos, a Ritalina deve ser utilizada para tratar doenças. Os efeitos citados acima são consequências do uso em pacientes com transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH), que possuem dificuldades para manter o foco e a atenção, e pacientes com narcolepsia, que sofrem de eventos de intensa sonolência mesmo em dias quando estão bem descansados.


Já aqueles que buscam o uso para melhora de desempenho, sem acompanhamento e receita médica, podem não obter o resultado esperado. Uma pesquisa feita em 2016 com norte-americanos concluiu que indivíduos de 35 anos que disseram ter feito uso de Ritalina sem prescrição médica, tinham menos chances de obter um diploma de ensino superior do que aqueles que não faziam o uso da substância.


E além disso, existem vários efeitos colaterais. Os mais comuns são dor de cabeça, dor de estômago, irritabilidade, episódios de tristeza, redução do apetite, dificuldades para dormir e tontura. No entanto, estes efeitos são mais comuns em usuários com receita - ou seja, em quem possui receita médica para seu uso - do que naqueles que tomam Ritalina sem indicação.


Então, seria a Ritalina um real doping intelectual? Não exatamente. Seu uso é eficaz para tratamento daqueles que precisam, mas os dados não comprovam melhora significativa para o uso não supervisionado por profissional da saúde. Cabe destacar ainda que até o momento não existem fármacos que incrementam a melhora cognitiva ou a capacidade de memorização em indivíduos saudáveis. Portanto, a Ritalina somente é útil e deve ser utilizada por pacientes e não para nos tornar “mais inteligentes” ou com um melhor rendimento acadêmico ou profissional.

24 visualizações
Logo_preto_Proex_editado.png
LOGO-1200X1200-LAB-NEUROFARMACO-UNILA.pn
  • Facebook
  • YouTube
  • Instagram

(45) 3529-9326

©2019 by Laboratório de Neurofarmacologia Clínica - UNILA.

Projeto de Extensão PJ050-2019 da Universidade Federal da Integração Latino-Americana

Programa de Pós Graduação em Biociências

Responsável: Francisney Pinto do Nascimento, PhD

 

 

Todos os conteúdos aqui publicados representam o resultado de pesquisas científicas devidamente defendidas, publicadas e/ou submetida à pares ou são resultado de consulta de fontes consideradas confiáveis. Todos os conteúdos são de responsabilidade de seus autores e editores, não representando posições institucionais da UNILA, que responde por meio de sua Secretaria de Comunicação Social.